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"Fiel
é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente
obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja
irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante,
sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não
dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo
de contendas, não avarento; e que governe bem a própria
casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, pois,
se alguém não sabe governar a própria casa,
como cuidará da igreja de Deus?" I Timóteo
3:1-5
Até onde posso ver, esse texto apresenta a família
como um referendo para quem almeja o episcopado (supervisão,
função de quem é pastor.) Paulo orienta seu
discípulo sobre as bases para a unção do ancião.
Em primeiro lugar, deixa claro que não há nenhum problema
em alguém querer a função de bispo (supervisor
do rebanho de Deus). Fiel também é a palavra: se alguém
aspira o episcopado, excelente obra almeja, (v.1) Em segundo lugar,
apresenta os pré requisitos que tornam uma pessoa possível
de ser ordenada pastor. E, nestes, encontramos uma referencia de
como cuidar de nossa casa, (v.4).
Uma pessoa, entre outras qualidades, para ser considerada como postulante
ao pastorado, tem de governar bem a sua casa. Seus filhos tem de
ser disciplinados e respeitosos. É essa realidade familiar
que atesta se o candidato é ou não um líder.
É algo a ser observado antes da ordenação,
(vs.4-5). Essa, penso, é a relação entre a
família do ministro e o seu ministério. A família
respalda o seu ministério, porém, não necessariamente,
ministra com ele.
Na história recente da igreja, entretanto, tem sido cobrado
que a família do pastor ministre com ele: os filhos tem que
ser lideres exemplares, a esposa, além de organista, tem
de estar liderando as senhoras e o serviço social. Mais que
a família do pastor, tem de ser uma família de pastores.
Curiosamente esse é um fardo que, em geral, só é
colocado sobre a família do pastor. Os demais oficiais da
Igreja ficam isentos: a família do presbítero não
tem de exercer presbiterato, a do diácono não tem
de exercer o diaconato. Porém, a família pastoral,
pôr meio de, na maioria das vezes, meias palavras, se espera
um exercício de pastorado: - "mas você não
é o filho do pastor?"
Essa sobrecarga injusta acaba por gerar, no pastor e na sua família,
um estresse insuportável. O ministério, ao invés
de fonte de benção, converte-se em fonte de neuroses
e sofrimento. E fica pior se o pastor adota essa mesma postura,
tornando-se assim, o algoz da própria família.
Para o bem da Igreja, do pastor e de sua família, seria bom
se a comunidade compreendesse que a família do pastor não
é co-pastora e tem de ser pastoreada como qualquer outra.
A família concede ou não ao cristão autoridade
para postular o ministério. No demais, a família do
ministro é apenas mais uma família da comunidade,
que merece ser tratada como qualquer outra, isto é, bem tratada.
Ariovaldo
Ramos Missionário da Sepal e pastor da Igreja Reformada Plena
de São Paulo
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