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"Meu
bem, estou muito cansada, tive um dia cheio de trabalho, acho que
não irei ao culto hoje."
Quantas esposas de pastor deparam com esta realidade: dividir seu
tempo entre família, igreja e profissão?
Afinal, a esposa de pastor tem o direito de exercer uma profissão,
ou deve dedicar-se integralmente ao ministério do marido?
Recentemente tive uma experiência bastante interessante, a
qual gostaria de partilhar com você:
No início do ano, além da escola em que já
trabalho, fui convidada para lecionar em outro estabelecimento.
O convite era tentador, pois resultaria em aumento significativo
no nosso orçamento; entretanto, minha jornada de trabalho
também sofreria um aumento considerável. Depois de
muita oração e conversa com a família, resolvi
aceitar a proposta, tendo em vista que o contrato seria temporário.
Durante este período, contudo, comecei a desenvolver algumas
atitudes:
- Negligência: Creio que todo cristão tem o
dever de ser competente naquilo que faz, por isso exigi de mim mesma
muito mais dedicação. O trabalho começou a
consumir-me de tal forma que passei a negligenciar outras áreas
de minha vida: minha família ficou em segundo plano; não
tinha mais tempo para minhas filhas, que ficavam sob os cuidados
da empregada; meu marido ficou para escanteio, pois mal o via durante
o dia e, quando tínhamos momentos livres, estava sempre cansada.
Na igreja, nem se fala: os trabalhos da semana foram esquecidos;
visitas, reuniões extras, nem pensar... Minhas atividades
se resumiam em lecionar na escola dominical.
- Esfriamento espiritual: Minha comunhão com Deus
começou a tornar-se seca e restrita. Eu estava consciente
de tudo isso, lutava para conseguir desvencilhar-me destas coisas,
mas era como se eu estivesse amarrada a elas.
Graças a Deus, este período passou e pude voltar à
minha jornada normal de trabalho.
Voltemos à pergunta inicial: a esposa de pastor tem o direito
de exercer uma profissão?
Vejamos algumas considerações:
1- Ela tem um chamado especial. Todos nós recebemos de Deus
dons especiais, independentemente de posição, cargo
ou parentesco. Estes dons precisam ser colocados em prática
de forma fiel e dedicada. A esposa de pastor, assim como todo cristão,
tem a responsabilidade de exercê-los de maneira eficiente.
Uma observação, porém, faz-se necessária:
a igreja deve conscientizar-se de que a esposa de pastor não
é uma 'supermulher', e por isso não pode ser cobrada
como tal.
2- Ela tem o direito de se realizar. Deus nos fez pessoas individuais,
com personalidades e pensamentos diferentes. Há mulheres
que se sentem realizadas como mães e esposas, fazem disso
sua opção de vida; outras, porém, querem algo
mais. Há, então, a necessidade do respeito aos dois
pensamentos. O que conta aqui é a realização.
Uma mulher frustrada dificilmente será bênção
na vida do marido. Abro aqui um parêntese para reflexão:
Como estariam algumas viúvas de pastores se não tivessem
uma profissão?
3- Ela tem o dever de priorizar sua família. Um bom termômetro
para nossos abusos em uma ou outra área é o impacto
que estas atividades exercem sobre nossa família. Em tempo
algum as atividades da igreja ou as profissionais devem sobrepujar
as de mãe e esposa. O grande problema dos pastores e de suas
esposas é não criar uma lista de prioridades e ser
fiel a ela. Devemos estar atentos às conseqüências
dos nossos exageros.
4- Equilíbrio: palavra-chave. Ser esposa, mãe, membro
de igreja e ainda profissional é uma missão árdua,
mas não impossível. Nosso desafio é buscar
em Deus a sabedoria para harmonizarmos todas estas áreas,
sem sermos negligentes com uma ou outra.
Eunicea de Oliveira Souto Cândido, professora,
esposa do Pr. Tércio Candido,
mãe de Débora e Sarah
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