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PROFISSÃO: BÊNÇÃO OU EMPECILHO?
Eunicea Cândido
 

"Meu bem, estou muito cansada, tive um dia cheio de trabalho, acho que não irei ao culto hoje."

Quantas esposas de pastor deparam com esta realidade: dividir seu tempo entre família, igreja e profissão?

Afinal, a esposa de pastor tem o direito de exercer uma profissão, ou deve dedicar-se integralmente ao ministério do marido?

Recentemente tive uma experiência bastante interessante, a qual gostaria de partilhar com você:

No início do ano, além da escola em que já trabalho, fui convidada para lecionar em outro estabelecimento. O convite era tentador, pois resultaria em aumento significativo no nosso orçamento; entretanto, minha jornada de trabalho também sofreria um aumento considerável. Depois de muita oração e conversa com a família, resolvi aceitar a proposta, tendo em vista que o contrato seria temporário.

Durante este período, contudo, comecei a desenvolver algumas atitudes:
- Negligência: Creio que todo cristão tem o dever de ser competente naquilo que faz, por isso exigi de mim mesma muito mais dedicação. O trabalho começou a consumir-me de tal forma que passei a negligenciar outras áreas de minha vida: minha família ficou em segundo plano; não tinha mais tempo para minhas filhas, que ficavam sob os cuidados da empregada; meu marido ficou para escanteio, pois mal o via durante o dia e, quando tínhamos momentos livres, estava sempre cansada.

Na igreja, nem se fala: os trabalhos da semana foram esquecidos; visitas, reuniões extras, nem pensar... Minhas atividades se resumiam em lecionar na escola dominical.

- Esfriamento espiritual: Minha comunhão com Deus começou a tornar-se seca e restrita. Eu estava consciente de tudo isso, lutava para conseguir desvencilhar-me destas coisas, mas era como se eu estivesse amarrada a elas.

Graças a Deus, este período passou e pude voltar à minha jornada normal de trabalho.
Voltemos à pergunta inicial: a esposa de pastor tem o direito de exercer uma profissão?

Vejamos algumas considerações:
1- Ela tem um chamado especial. Todos nós recebemos de Deus dons especiais, independentemente de posição, cargo ou parentesco. Estes dons precisam ser colocados em prática de forma fiel e dedicada. A esposa de pastor, assim como todo cristão, tem a responsabilidade de exercê-los de maneira eficiente. Uma observação, porém, faz-se necessária: a igreja deve conscientizar-se de que a esposa de pastor não é uma 'supermulher', e por isso não pode ser cobrada como tal.

2- Ela tem o direito de se realizar. Deus nos fez pessoas individuais, com personalidades e pensamentos diferentes. Há mulheres que se sentem realizadas como mães e esposas, fazem disso sua opção de vida; outras, porém, querem algo mais. Há, então, a necessidade do respeito aos dois pensamentos. O que conta aqui é a realização. Uma mulher frustrada dificilmente será bênção na vida do marido. Abro aqui um parêntese para reflexão: Como estariam algumas viúvas de pastores se não tivessem uma profissão?

3- Ela tem o dever de priorizar sua família. Um bom termômetro para nossos abusos em uma ou outra área é o impacto que estas atividades exercem sobre nossa família. Em tempo algum as atividades da igreja ou as profissionais devem sobrepujar as de mãe e esposa. O grande problema dos pastores e de suas esposas é não criar uma lista de prioridades e ser fiel a ela. Devemos estar atentos às conseqüências dos nossos exageros.

4- Equilíbrio: palavra-chave. Ser esposa, mãe, membro de igreja e ainda profissional é uma missão árdua, mas não impossível. Nosso desafio é buscar em Deus a sabedoria para harmonizarmos todas estas áreas, sem sermos negligentes com uma ou outra.

Eunicea de Oliveira Souto Cândido, professora,
esposa do Pr. Tércio Candido,
mãe de Débora e Sarah

 


 

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